segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Você...


Eu já havia acordado seis horas da manhã, feito o seu almoço, deixei dentro da geladeira em um prato raso, assim como você gosta, envolto em um papel alumínio para não estragar, esperando apenas que você aquecesse no micro-ondas.
Naquela manhã chuvosa vesti minha roupa mais bonita, uma camisa branca, uma saia longa preta um paletó da mesma cor. Coloquei todos os meus documentos dentro da bolsa que Camila me emprestara para a ocasião e dirigi até a empresa. Havia algumas pessoas na minha frente e eu sabia que essas entrevistas costumavam levar certo tempo. Eu só sairia dali por volta das duas da tarde. Todo aquele processo seletivo era cansativo, mas necessário.
Eu estava sentada, minhas concorrentes para aquela vaga, algumas estavam visivelmente mais nervosas que eu, outras aparentavam uma falsa confiança, tenho certeza que para tentar afugentar as mais inseguras. Eu estava nesse segundo grupo, mal conseguia respirar, meu coração estava acelerado, piscava freneticamente e minhas mãos suavam e estavam extremamente geladas. Minhas mãos. Fixei meu olhar nelas por um instante e me lembrei da forma que você as toca, o carinho que você faz com seu polegar enquanto nossos outros dedos permanecem entrelaçados. Eu não estava mais naquela sala de espera, aguardando a minha vez para ser entrevistada, eu estava com você, era assim que eu me sentia. Seus olhos, sua paciência comigo, com minhas neuras, meu ciúme, minha necessidade dramática de atenção, você permanecia comigo.
Com você sempre me senti limpa, essa é a verdade. Lembro de nossa primeira vez, já namorávamos havia alguns meses, mas jamais tínhamos nos tocado demais, você sabia e entendia as minhas restrições, meus medos, minhas inseguranças. Eu nunca fui o tipo de garota que avançava muitas bases, mesmo já tendo outros relacionamentos, eu não tinha necessidades físicas, todavia necessidades sentimentais, as quais você supria completamente com seu jeito doce de me tratar.
Já era quase meio dia quando recebi sua mensagem de bom dia, me chamando de sua pequena e me desejando boa sorte. Foi como se eu finalmente tivesse conseguido inspirar oxigênio em meus pulmões. Meia hora depois recebi outra, dessa vez informando que o purê de batata estava uma delícia, que o bife estava do jeito exato que sua mãe fazia, como era impecável as minhas mãos na cozinha e no final disse que me amava e tornou me chamar de sua pequena.
No dia que briguei com meus pais eu te mandei uma mensagem contando que meu pai me mandou parar de querer viver um conto de fadas. Você imediatamente foi ao banheiro do seu trabalho para poder falar comigo, com uma ligação péssima a única coisa que eu ouvi foi você me chamando de princesa. A ligação caiu em seguida e você não conseguiu me retornar, mas aquelas palavras me fizeram ter força de lutar pelos meus objetivos. Era como eu me sentia sentada naquela cadeira. Eu estava pronta, pois eu sabia que onde fosse a batalha que eu fosse travar, você estaria comigo sempre.
A recepcionista, então, chamou o meu nome...